Entre o som dos shows, o movimento intenso de visitantes e a estrutura moderna da Pecuária de Goiânia, existe um espaço que parece funcionar em outra camada do tempo. Dentro do Parque de Exposições Dr. Pedro Ludovico, no Setor Vila Nova, o Museu da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura — conhecido como Museu do Criador — preserva um capítulo singular da memória rural goiana.
Inaugurado em 15 de maio de 2006, o museu completa duas décadas como um dos espaços mais simbólicos da história agropecuária do estado. Mais do que exibir peças antigas, o local recria atmosferas, hábitos e modos de vida ligados ao interior goiano entre o final do século XIX e meados do século XX.
Criado pela Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura, o espaço funciona como uma reconstrução cenográfica da antiga vida no campo. Esse período foi marcado por trabalho manual, pela ausência de mecanização e pelos ciclos naturais.

Objetos antigos ajudam a contar a transformação do campo
O acervo reúne peças que ajudam a narrar a evolução do meio rural em Goiás. Entre os objetos expostos estão lampiões a querosene, máquinas de costura, telefones antigos de discagem fixa e ferramentas agrícolas. Essas ferramentas eram utilizadas antes da chegada das tecnologias modernas ao campo.
Também fazem parte da exposição equipamentos ligados ao início da modernização da pecuária goiana. Nesse momento, novas práticas produtivas começaram a transformar as fazendas do estado.
Mais do que itens históricos, o conjunto funciona como um retrato silencioso das mudanças sociais e econômicas. Essas mudanças moldaram o interior goiano ao longo das décadas.

Oficinas resgatam técnicas tradicionais durante a Pecuária
Durante a Exposição Agropecuária de Goiânia, o museu ganha ainda mais movimento com oficinas práticas que reativam saberes tradicionais do campo.
Entre as atividades mais procuradas estão as oficinas de produção de rapadura e cachaça, conduzidas por instrutores do Senar Goiás. As experiências aproximam os visitantes de técnicas artesanais que ainda sobrevivem em algumas comunidades rurais do estado.
Além da demonstração, as oficinas exploram elementos sensoriais como cheiro, textura e preparo manual, criando uma conexão direta com tradições antigas do interior.

Museu funciona como elo entre memória e transformação
Sob coordenação da médica veterinária Tamara Hamú, o espaço também propõe uma reflexão sobre as transformações do campo goiano.
A organização dos ambientes revela mudanças nas relações de trabalho, na produção agropecuária e no próprio modo de viver nas antigas fazendas do estado.
Enquanto a Pecuária de Goiânia simboliza inovação, negócios e modernização do agronegócio, o Museu do Criador atua quase como uma pausa no tempo. Assim, é um espaço dedicado à preservação de memórias que ajudaram a construir a identidade rural de Goiás.
Mais do que nostalgia, o museu oferece um registro vivo de costumes, objetos e histórias. Esses elementos seguem conectando passado e presente no coração da capital goiana.










