As passagens de ônibus registraram queda média de 0,7% na região Centro-Oeste em maio de 2026, na comparação com abril, segundo dados do Índice do Rodoviário ClickBus (IRCB), elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O resultado indica uma redução nos preços para os passageiros em um período marcado pelo aumento das tarifas aéreas e pela pressão dos custos operacionais no setor de transportes.
Entre os estados da região, o Distrito Federal apresentou o maior recuo, com queda de 3,3% nas tarifas. Em seguida aparecem Mato Grosso, com redução de 1,7%, e Goiás, que registrou queda de 0,5%. Na contramão, Mato Grosso do Sul foi o único estado a apresentar alta, com avanço de 3,0% nos preços das passagens.
Enquanto o transporte rodoviário apresentou redução de preços, o setor aéreo seguiu trajetória oposta. Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que as passagens aéreas ficaram 3,2% mais caras em maio.

Levantamento
O levantamento mostra que, mesmo após ajustes estatísticos para eliminar efeitos sazonais, como feriados prolongados e períodos de maior demanda, a variação do índice ficou praticamente estável, em -0,1%, reforçando a estabilidade do transporte rodoviário em relação a outros modais.
Segundo a metodologia do IRCB, a queda observada em maio está relacionada principalmente à acomodação dos preços após a alta de 3,3% registrada em abril. A análise indica que não houve uma mudança estrutural no mercado, mas sim um ajuste natural após um período de maior procura por viagens.
Para o CEO da ClickBus, Phillip Klien, os resultados reforçam a competitividade do transporte rodoviário. “O ônibus é o modal que oferece a maior estabilidade de preços para o passageiro brasileiro, especialmente em um momento em que outros meios de transporte seguem pressionados”, afirmou.
As maiores reduções foram observadas nas categorias com mais conforto. As passagens do serviço semileito ficaram 5,0% mais baratas em maio. Já os serviços leito e cama registraram quedas de 2,9% e 2,5%, respectivamente. A categoria convencional, que concentra a maior parte das viagens rodoviárias no país, apresentou estabilidade, com variação de apenas -0,2%.

Viagens de longa distância
As viagens de longa distância também ficaram mais acessíveis. Rotas com mais de 400 quilômetros registraram redução média de 3,3%, enquanto os trajetos de média-longa distância tiveram queda de 1,2%. Nas viagens de média-curta distância, a redução foi de 1,1%.
No cenário nacional, o Nordeste liderou a queda das tarifas, com recuo médio de 2,6%, seguido pelo Sudeste (-1,8%), Norte (-1,1%) e Centro-Oeste (-0,7%). A única região a apresentar aumento foi o Sul, onde os preços avançaram 0,7%.
Apesar da redução nas tarifas, o setor continua enfrentando custos elevados. O preço do diesel caiu 2,3% em maio, mas ainda acumula alta de 14,5% nos últimos 12 meses. No mesmo período, o IRCB registrou aumento acumulado de 6,7%, percentual inferior ao avanço do combustível, considerado um dos principais custos das empresas de transporte rodoviário.
Produzido mensalmente pela Fipe com base nas passagens comercializadas pela plataforma ClickBus, o Índice do Rodoviário ClickBus utiliza metodologia estatística que considera fatores como distância percorrida, categoria do serviço e características das viagens para medir a variação real dos preços no transporte rodoviário brasileiro.









