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A Igreja Nossa Senhora do Rosário, no distrito de Buenolândia, município de Goiás, está mais próxima de passar por uma restauração completa. Considerado o primeiro templo religioso construído em território goiano, o edifício colonial terá uma intervenção estimada em R$ 2,8 milhões. A Secretaria de Estado da Cultura (Secult) publicou o edital para contratar os serviços especializados de arquitetura e engenharia, iniciando a seleção da empresa responsável.

A iniciativa integra os preparativos para os 300 anos da Cidade de Goiás, celebrados em 2027, e pretende recuperar uma construção ligada aos primeiros núcleos de povoamento da região. Com arquitetura simples e quase três séculos de história, a igreja representa parte da memória religiosa e cultural goiana.

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Um investimento milionário

O projeto prevê serviços técnicos especializados para recuperar o patrimônio de Buenolândia, com orçamento estimado de R$ 2.877.949,92, segundo o Portal Nacional de Contratações Públicas. A escolha da empresa ocorrerá por concorrência eletrônica, avaliando técnica e preço, na modalidade semi-integrada. A sessão pública está marcada para 4 de janeiro de 2027. Depois dela, o processo ainda depende dos procedimentos administrativos de contratação — portanto, não há data confirmada para o início das obras nem para a reabertura do templo.

A história começa nos primeiros povoados de Goiás

A história da igreja está ligada ao antigo Arraial da Barra, um dos primeiros núcleos de ocupação colonial do território goiano, instalado perto do encontro dos rios Vermelho e Bugre. A formação do arraial se associa às expedições de Bartolomeu Bueno da Silva Filho, o segundo Anhanguera; segundo o inventário turístico estadual, o povoamento remonta a 1726, quando a descoberta de ouro estimulava a criação de arraiais no interior. O antigo arraial deu origem ao atual distrito de Buenolândia.

Embora a tradição local identifique o templo como a primeira igreja de Goiás, sua data exata de construção permanece incerta: registros e relatos associam a edificação às primeiras décadas do século XVIII, mas os documentos disponíveis não permitem cravar o ano. A origem do arraial e a construção da igreja, aliás, não correspondem necessariamente ao mesmo momento. Ainda assim, o templo permanece como testemunho da expansão colonial e da formação das primeiras comunidades goianas.

Arquitetura colonial em taipa de pilão

Um dos aspectos mais relevantes está no sistema construtivo: a edificação preserva grande parte de sua estrutura em taipa de pilão, técnica que usa terra compactada em formas para erguer paredes resistentes, comum no período colonial. A fachada é simples, com paredes claras, aberturas em azul, telhas cerâmicas e uma pequena estrutura para o sino acima do telhado — ornamentação discreta, bem diferente das grandes igrejas barrocas. Ao longo dos séculos, a construção passou por alterações, e documentos registram, por exemplo, a ausência do altar primitivo. Antes de qualquer intervenção, profissionais precisam avaliar a estabilidade dos materiais e definir procedimentos compatíveis com as características históricas do imóvel.

Foto: Governo de Goiás

Tombamento protege a igreja e a paisagem

A preservação ganhou nova etapa com o processo de proteção patrimonial da Secult. Em 2025, o governo anunciou o tombamento provisório do templo. Em agosto de 2026, uma equipe da UFG, em parceria com a Superintendência de Patrimônio Histórico e Artístico da Secult, fez uma visita técnica ao distrito, com levantamentos arquitetônicos e diagnósticos de conservação. O trabalho também discutiu a proteção do entorno: o valor histórico não está só nas paredes, mas no largo, na organização do antigo povoado e na paisagem próxima aos rios. Segundo a UFG, o tombamento deve se concentrar na igreja e em seu entorno imediato.

Buenolândia e o “Marco Zero” da história goiana

Conhecida como Arraial da Barra, Buenolândia ocupa lugar particular na formação de Goiás, associada às primeiras expedições de exploração aurífera do século XVIII — período em que a mineração estimulou novos núcleos e Vila Boa, a atual Cidade de Goiás, se consolidou como centro administrativo. É nesse contexto que a igreja integra o chamado “Marco Zero” de Goiás.

Vale, porém, uma ressalva histórica importante: a formação da região envolveu diferentes populações. Povos indígenas já ocupavam o território antes das expedições coloniais, e africanos escravizados participaram da sociedade mineradora e de suas atividades econômicas. A preservação do patrimônio permite ampliar o conhecimento sobre esse passado — a história regional não se limita aos personagens tradicionalmente destacados nas narrativas de fundação.

Parte dos preparativos para 2027

A recuperação integra as primeiras ações oficiais do tricentenário da Cidade de Goiás, em 2027. Para a secretária de Estado da Cultura, Yara Nunes, a intervenção “faz parte dos esforços do Governo de Goiás para recuperar e valorizar edificações históricas, reconhecendo sua importância para a memória, a identidade e a história das comunidades”. A Cidade de Goiás tem reconhecimento internacional: em 2001, a Unesco incluiu seu centro histórico na Lista do Patrimônio Mundial, destacando a adaptação da arquitetura colonial ao interior brasileiro — classificação que abrange uma área delimitada, não o tombamento individual de todos os imóveis. No caso de Buenolândia, a recuperação poderá ampliar o conhecimento sobre uma parte menos visitada da história regional, embora as obras dependam dos resultados da licitação e das etapas técnicas.

Leia mais: Turismo científico em Goiás: 10 lugares para ver o céu, fósseis e a história da Terra

Cemitério na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Buenolândia– Foto: Redes Sociais

Entenda a História

O que é

A Igreja Nossa Senhora do Rosário, em Buenolândia (distrito do município de Goiás), tradicionalmente apontada como a primeira igreja construída em território goiano.

A restauração

Edital da Secult de R$ 2,8 milhões para serviços de arquitetura e engenharia. Sessão pública da licitação em 4 de janeiro de 2027 — ainda sem data de início das obras.

A origem

Ligada ao Arraial da Barra, um dos primeiros núcleos coloniais de Goiás, associado às expedições do segundo Anhanguera; povoamento que remonta a 1726.

A ressalva

A data exata de construção da igreja é incerta (primeiras décadas do século XVIII, sem ano confirmado). E a história da região vai além dos bandeirantes: inclui povos indígenas, anteriores à colonização, e africanos escravizados.

A arquitetura

Colonial e simples, em taipa de pilão (terra compactada), com fachada clara, aberturas azuis e sineira sobre o telhado.

O contexto

Integra os preparativos para os 300 anos da Cidade de Goiás (2027), cujo centro histórico é Patrimônio Mundial da Unesco desde 2001.

Para conhecer a região

Buenolândia é um distrito da Cidade de Goiás, a antiga capital, a cerca de 140 km de Goiânia. Por enquanto, a igreja não é um ponto de visitação (aguarda restauração), mas a região rende um roteiro histórico e cultural riquíssimo.

  • Centro histórico da Cidade de Goiás: Patrimônio Mundial da Unesco, com igrejas, casarões, o Palácio Conde dos Arcos, museus e a Casa de Cora Coralina.
  • As margens do Rio Vermelho e a Serra Dourada: natureza e paisagem no entorno da antiga capital.
  • A gastronomia goiana: empadão, doces e a cozinha típica da cidade.

Dica de quem conhece: a melhor forma de conhecer essa história é incluir a Cidade de Goiás num roteiro — e, em 2027, o tricentenário promete uma agenda especial, com a restauração de patrimônios como a igreja de Buenolândia entre as ações. Programe a viagem para a estação seca, de maio a setembro, quando o clima é mais ameno para caminhar pelo centro histórico. Acompanhe os canais oficiais e da Plataforma Rotas de Goiás para saber quando a igreja de Buenolândia reabrir após as obras.

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