As antigas estações ferroviárias de Goiás são um convite para descobrir uma parte da história do estado que ainda permanece de pé. Muito antes de as rodovias dominarem os deslocamentos, locomotivas transportavam passageiros, mercadorias e novidades entre cidades que cresceram ao redor dos trilhos.
Em municípios como Pires do Rio, Urutaí, Vianópolis, Silvânia e Leopoldo de Bulhões, antigas estações ajudam a contar como a ferrovia influenciou a ocupação do território goiano. Algumas foram restauradas e ganharam funções culturais; outras permanecem como marcos arquitetônicos e históricos, mesmo sem receber trens. O passeio interessa especialmente a quem gosta de fotografia, arquitetura, memória regional e viagens pelo interior — e é uma chance de conhecer cidades que raramente aparecem entre os destinos mais procurados de Goiás.

1. Estação Ferroviária de Goiânia: a história começa na capital
Na Praça do Trabalhador, está um dos símbolos da Goiânia antiga. Inaugurada em 1950 e construída em estilo art déco, integrou a rede que conectava a capital ao interior. Preserva linhas geométricas e detalhes decorativos da época, e, no interior, dois afrescos de Frei Nazareno Confaloni contam parte da história artística de Goiás. Hoje é espaço cultural e abriga o Museu Frei Nazareno Confaloni; na área externa, a locomotiva Maria Fumaça completa a memória ferroviária. Ótimo ponto de partida.
Onde: Praça do Trabalhador, Av. Goiás, 1799, Setor Central, Goiânia. Confirme a programação e o acesso interno antes da visita.
2. Estação Ferroviária de Leopoldo de Bulhões: o entroncamento que marcou Goiás
Inaugurada em 1931, teve papel estratégico na ligação entre municípios e no transporte agrícola, tornando-se relevante quando a linha se dividiu rumo a Anápolis e Goiânia. Guarda a memória de uma cidade cuja formação esteve ligada à ferrovia. A prefeitura a apresenta como ponto turístico, mas não divulga horários de visitação interna — vale contato antes de viajar.
Contato: (62) 99700-8931. Acesso interno não confirmado.

3. Estação Ferroviária de Silvânia: de parada de trem a espaço cultural
Tem história curiosa: inaugurada em 3 de maio de 1930 como Caturama, depois Bonfim, até o nome atual. Fica a cerca de 6 km da sede, porque os trilhos não passaram pelo centro. Desativada em 1987, foi restaurada em 2013 e devolvida à comunidade com funções culturais — abriga acervo histórico, biblioteca e atividades. Um dos pontos mais promissores do roteiro.
Horário divulgado no cadastro municipal: seg a sex, 8h às 16h (confirme antes). Contato: (62) 3332-2554.

4. Estação Ferroviária de Vianópolis: arquitetura e memória no centro
Inaugurada em 1924, integrou a Estrada de Ferro Goyaz. No centro do município, preserva características da arquitetura ferroviária da época. Um inventário da Goiás Turismo registra que já abrigou uma pequena biblioteca e um escritório de serviço militar, mas, por ser antigo, não garante essas atividades hoje. Boa pedida para fotografar construções históricas.
Onde: Rua Guarani, Centro, Vianópolis.

5. Estação Ferroviária de Pires do Rio: onde uma cidade nasceu ao redor dos trilhos
Aqui a ferrovia participou do nascimento da cidade. A estação foi inaugurada em 9 de novembro de 1922, com a expansão da Estrada de Ferro Goyaz. O município leva o nome de José Pires do Rio, então ministro da Viação, que esteve na região durante a construção da ponte ferroviária Epitácio Pessoa. A cidade tem ainda o Museu Ferroviário (num antigo galpão de manutenção) e a Ponte Epitácio Pessoa, de 125 metros em estrutura metálica sobre o Rio Corumbá — marco da engenharia, mas desativada, que não deve ser atravessada sem autorização.
Atenção: o Museu Ferroviário está fechado para reforma (consulta de 19/10/2026). Não anuncie como aberto. Contato: (64) 3461-7970.

6. Estação Ferroviária de Urutaí: um patrimônio que atravessou gerações
Inaugurada em 15 de novembro de 1914, atraiu trabalhadores, comerciantes e famílias, e ao seu redor surgiu o povoado que viraria o município. Depois de desativada, foi restaurada pelo Iphan e, em 2014, cedida à prefeitura para atividades culturais (biblioteca, sala multiuso, inclusão digital). Em 2025, sediou uma homenagem às vítimas do acidente ferroviário de 1964, mostrando sua permanência na memória local.
Programação cultural eventual; horários internos não confirmados. Contato: (64) 99232-3300.
Perguntas frequentes
Existe passeio de trem turístico entre essas cidades? Não há operação regular de trem turístico ligando as estações do roteiro. O trajeto é feito por rodovia.
É possível entrar em todas? Não. Alguns imóveis têm uso cultural; outros têm acesso interno não confirmado. Silvânia tem horário em cadastro municipal, mas confirme antes.
O Museu Ferroviário de Pires do Rio está aberto? Não. Na consulta de 19/10/2026, a Secretaria de Estado da Cultura informava que estava fechado para reforma.
Qual a melhor época? O roteiro vale o ano todo. Para fotografar fachadas e caminhar pelos centros históricos, evite os horários de calor intenso e acompanhe a previsão.
Vale com crianças? Pode ser educativo. Mas observe as condições de acesso, evite áreas ferroviárias operacionais e não permita a entrada em estruturas abandonadas ou interditadas.
A história ferroviária de Goiás não está apenas nos livros: permanece nas fachadas, nos galpões, nas pontes e nas cidades que nasceram ao redor dos trilhos. Conhecer esse patrimônio é também entender como o interior goiano se desenvolveu e preserva sua identidade.
→ Sugestão de link interno (início): matéria da série de aniversário de Goiânia / roteiro art déco (a Estação de Goiânia é art déco). → Sugestão de link interno (fim): matéria sobre a Estrada de Ferro de Goiás ou sobre cidades históricas do interior.
Guia do Viajante — Roteiro das estações ferroviárias de Goiás
O ponto de partida (na capital)
A Estação Ferroviária de Goiânia, na Praça do Trabalhador (Setor Central) — art déco, com o Museu Frei Nazareno Confaloni e a Maria Fumaça. Boa introdução antes de rodar o interior.
As cidades do roteiro (sudeste/central goiano)
Leopoldo de Bulhões, Silvânia, Vianópolis, Pires do Rio e Urutaí — todas ligadas à antiga Estrada de Ferro Goyaz, acessíveis de carro a partir de Goiânia (a maioria entre ~80 e ~150 km).
Como é o passeio
Não há trem turístico: o roteiro é rodoviário, de cidade em cidade. É um programa de fotografia, arquitetura e história, combinável com os centros históricos de cada município.
Atenção à visitação (essencial)
- Museu Ferroviário de Pires do Rio: fechado para reforma
- Várias estações têm acesso interno não confirmado (Leopoldo de Bulhões, Vianópolis, Urutaí) — ligue antes
- Silvânia divulga horário (seg a sex, 8h às 16h), mas confirme
- Não atravesse pontes ferroviárias desativadas nem entre em estruturas interditadas
Melhor época
O ano todo. Evite o calor do meio-dia para caminhar pelos centros e fotografar as fachadas.
Dica de quem conhece
Ligue antes para cada prefeitura ou museu: boa parte dos imóveis tem acesso interno não confirmado ou programação eventual, e nada frustra mais que chegar e achar fechado. Comece pela Estação de Goiânia, que é a mais estruturada e já emenda com o roteiro art déco da capital, e depois monte um circuito pelo sudeste goiano reunindo duas ou três cidades no mesmo dia. Vá de calçado confortável, leve água e protetor solar para as caminhadas, e respeite as áreas interditadas — o encanto desse passeio está em fotografar as fachadas e imaginar o movimento de outrora, não em arriscar entrar em estruturas abandonadas. É um mergulho na história que poucos goianos conhecem.









