Entre serras, rios, cachoeiras e áreas preservadas da Chapada dos Veadeiros, o Caminho de Santana propõe uma travessia de 78 quilômetros pelo município de Cavalcante, no norte de Goiás. O roteiro parte da praça da Igreja Matriz de Sant’Ana, no Centro Histórico, percorre diferentes trechos e retorna ao mesmo ponto, numa jornada que pode durar até oito dias.
Durante o percurso, o caminhante passa pela bacia do Rio das Almas e segue entre as serras das Araras e de Santana, combinando caminhada, paisagens do Cerrado, formações geológicas e cursos d’água. Assim, natureza, história e cultura aparecem reunidas num mesmo roteiro.
Um circuito de quatro a oito dias
O Caminho de Santana está estruturado em três trechos e planejado para caminhantes. Ao todo, soma 78 quilômetros, e a conclusão pode levar de quatro a oito dias, dependendo do ritmo e da organização. O nível de dificuldade varia de leve a moderado em boa parte do caminho, mas a duração exige planejamento, sobretudo para quem pretende completar todo o circuito. Ao longo da trilha, o visitante encontra vegetação do Cerrado, rios, cachoeiras, mirantes e áreas de observação de fauna, além de formações geológicas moldadas pela água e pelo relevo. O nome da rota faz referência a Sant’Ana, padroeira de Cavalcante — e o ponto de partida na Igreja Matriz cria uma ligação direta entre a trilha e a história da cidade.
Onze áreas protegidas no caminho
Ao longo dos 78 quilômetros, o Caminho de Santana mantém relação com 11 áreas protegidas, entre unidades de conservação públicas e Reservas Particulares do Patrimônio Natural. Entre elas estão o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, a Área de Proteção Ambiental de Pouso Alto e o Parque Natural Municipal do Lava-pés, além das reservas Bacupari, Vale das Araras, Integra Parque, São Bartolomeu, Maria Batista, Ponte de Pedra, Água Santa e Recanto do Arco-Íris. Cavalcante concentra uma parcela significativa do território do Parque Nacional e reúne serras, cânions, rios e muitas cachoeiras.

Cachoeiras para estender a viagem
Quem percorre o Caminho de Santana pode prolongar a estadia para conhecer outros atrativos de Cavalcante. Entre os mais conhecidos estão as cachoeiras Santa Bárbara, Capivara e Candaru, além do Complexo do Prata e da Ponte de Pedra, formação natural sobre o Rio São Domingos. A Santa Bárbara chama atenção pela água azul-turquesa e se tornou uma das imagens mais famosas da região, enquanto o Complexo do Prata reúne diferentes quedas e piscinas naturais cercadas pelo Cerrado — opções para transformar a passagem pela cidade em uma viagem mais longa.
A cultura Kalunga também faz parte
A natureza não é o único destaque do turismo em Cavalcante. O município abriga parte do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga. O território quilombola também se estende por Monte Alegre de Goiás e Teresina de Goiás. A região preserva tradições, festas e saberes transmitidos por gerações. Na comunidade do Engenho II, ficam algumas das cachoeiras mais conhecidas. Entre elas estão Santa Bárbara, Capivara e Candaru. Esses atrativos conectam a paisagem natural à história das comunidades locais. O turismo na região exige atenção às regras de visitação. Antes de incluir cachoeiras, comunidades ou propriedades particulares no roteiro, verifique o acesso, a necessidade de guia e os horários.

Parte de uma rede maior de trilhas
O Caminho de Santana integra o movimento de expansão das trilhas de longo curso no país. A rota também faz parte da Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade (RedeTrilhas). Na Chapada, outra rota de grande extensão é o Caminho dos Veadeiros. Com mais de 1,2 mil quilômetros, o trajeto liga Formosa a Cavalcante, passa por sete municípios e combina caminhada e cicloturismo.
O melhor período
A Chapada dos Veadeiros pode ser visitada durante todo o ano. O período seco, geralmente entre maio e outubro, favorece caminhadas e banhos de cachoeira. Nessa época, as chuvas diminuem e as trilhas ficam mais firmes. Como o Caminho de Santana pode durar vários dias, o viajante deve planejar a hospedagem, a alimentação e os pontos de apoio. Também é importante considerar o preparo físico e as condições climáticas antes de iniciar o percurso.
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Guia do Viajante — Caminho de Santana, em Cavalcante
O que é
Um circuito de caminhada de 78 km que começa e termina na Igreja Matriz de Sant’Ana, no Centro Histórico de Cavalcante, atravessando serras, rios e cachoeiras da Chapada dos Veadeiros.
Duração e dificuldade
De quatro a oito dias, conforme o ritmo. Estruturado em três trechos, com dificuldade de leve a moderada na maior parte — mas a extensão exige preparo e planejamento.
Onde fica / como chegar
Cavalcante fica no norte goiano, na Chapada dos Veadeiros, a cerca de 320 km de Goiânia e 320 km de Brasília. O aeroporto mais próximo é o de Brasília.
O que vê pelo caminho
Cerrado, a bacia do Rio das Almas, as serras das Araras e de Santana, mirantes, fauna e 11 áreas protegidas, incluindo o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e a APA de Pouso Alto.
Para estender a viagem
As cachoeiras Santa Bárbara (azul-turquesa), Capivara e Candaru (na comunidade Kalunga do Engenho II), o Complexo do Prata e a Ponte de Pedra.
Cultura Kalunga
Cavalcante integra o território quilombola Kalunga — respeite as tradições e as regras de visitação das comunidades.
Melhor época
Estação seca (maio a outubro), com menos chuva e trilhas mais seguras.
Dica de quem conhece
Uma travessia de vários dias pede organização de verdade: defina o número de dias conforme seu preparo, reserve hospedagem e pontos de apoio com antecedência e vá na estação seca para trilhas firmes e cachoeiras cheias. Contrate guias e condutores locais — além da segurança, eles conhecem o terreno, as regras das reservas e as histórias do território Kalunga, e sua contratação valoriza a comunidade. Leve água, protetor solar, calçado de trilha, mapa baixado (o sinal some) e o essencial para as etapas longas. E aproveite que já está em Cavalcante para emendar as cachoeiras mais famosas da Chapada, como a Santa Bárbara, transformando a caminhada numa viagem completa pelo norte goiano.









