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Em meio à correria diária, poucos percebem uma casa discreta que resiste ao tempo em Goiânia. Entre trânsito intenso, compromissos e rotina acelerada, histórias importantes acabam passando despercebidas. Em uma esquina movimentada do bairro Campinas, no entanto, uma construção simples guarda um passado que antecede a própria capital.

Conhecida como “casa amarela”, o imóvel, localizado na Rua Senador Morais Filho, vai além da aparência antiga. Ele representa um fragmento vivo de um período anterior à fundação da cidade — e desperta a curiosidade de quem observa com mais atenção.

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Construída há quase 100 anos e repleta de curiosidades: conheça a casa mais  antiga de Goiânia - Portal 6

Construção antes da capital

A casa foi construída em 1925, mais de uma década antes da criação oficial de Goiânia. Na época, a região ainda se chamava Campininha das Flores e servia como ponto de apoio para viajantes.

O responsável pela obra foi o alemão Karl Bartolomeo Steger, que chegou à região por volta de 1922, possivelmente a convite de missionários Missionários Redentoristas de origem bávara. A atuação desses religiosos teve papel importante na ocupação inicial da área.

Mais do que uma construção antiga, o imóvel está diretamente ligado às origens de um dos bairros mais tradicionais da capital.

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Um sapateiro pioneiro

Karl Steger ficou conhecido pelo trabalho como sapateiro e abriu, na própria casa, a primeira sapataria de Campinas. O local também funcionava como ponto de encontro para moradores da época, reforçando sua importância na comunidade.

No mesmo período, ele se casou com Barbara da Silva Moraes, em cerimônia conduzida por um padre redentorista — mais um indicativo da influência religiosa na formação do povoado.

Outro fato curioso é que Steger teria sido dono de um dos primeiros carros a circular pela região, ainda predominantemente rural naquele período.

Caminho de peregrinação

A localização da casa também tem significado histórico. O imóvel ficava no trajeto utilizado por fiéis que seguiam em direção ao antigo Arraial do Barro Preto, atual Trindade, tradicional destino de peregrinação religiosa.

Essa posição estratégica contribuiu para o fluxo de pessoas na região e ajudou no desenvolvimento do povoado ao longo dos anos.

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Resistência em meio à modernização

Com o crescimento urbano, Campinas deixou de ser um pequeno povoado e foi incorporado à nova capital, tornando-se um dos principais polos comerciais de Goiânia.

Hoje, a região concentra intenso movimento e atividade econômica. Mesmo assim, em meio a prédios e lojas, a antiga casa permanece de pé.

A estrutura simples e a pintura desgastada contrastam com o cenário moderno ao redor. Ainda assim, resistem — como um testemunho silencioso da história local.

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Memória viva da cidade

Mais do que uma construção antiga, a casa é um símbolo da memória urbana. Não chama atenção pelo tamanho ou pela arquitetura sofisticada, mas pela história que carrega.

Ela lembra que Goiânia surgiu a partir de caminhos simples, histórias individuais e construções modestas que ajudaram a moldar a cidade.

Em meio à pressa do dia a dia, o imóvel convida a um exercício raro: desacelerar e observar. Porque, mesmo quase invisíveis, as origens da capital ainda estão presentes nos detalhes.

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