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No Sul de Goiás, uma cidade às margens do Rio Paranaíba ganhou um motivo especial para entrar no roteiro de quem gosta de pesca esportiva. Em Itumbiara, o tucunaré virou um dos protagonistas das viagens que levam pescadores ao enorme reservatório formado pela Usina Hidrelétrica de Itumbiara.

O motivo está no comportamento do peixe. Conhecido pela força e pela resistência durante a captura, o tucunaré costuma atacar a isca com rapidez e mudar de direção na briga com o pescador. Por isso, a espécie caiu no gosto dos praticantes da pesca esportiva.

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Mas a experiência vai além do peixe — o cenário também impressiona. O reservatório de Itumbiara ocupa uma área inundada de aproximadamente 778 quilômetros quadrados e se estende por Goiás e Minas Gerais. Para se ter uma ideia da dimensão, o lago supera a extensão territorial de Goiânia, que tem 729,296 km², segundo o IBGE. Assim, o Paranaíba cria um cenário que combina pesca, passeios de barco, esportes náuticos e contato com a natureza.

O que faz o tucunaré ser tão procurado

O tucunaré pertence ao gênero Cichla e tem comportamento predador — ou seja, persegue as presas e reage rapidamente quando encontra uma isca. Para quem pratica pesca esportiva, isso torna a captura mais dinâmica: o peixe pode arrancar a linha, mudar de direção e exigir atenção constante durante o recolhimento. Entre as espécies encontradas no Brasil estão o tucunaré-azul (Cichla piquiti) e o tucunaré-amarelo (Cichla kelberi).

Há, porém, um ponto importante. O tucunaré não faz parte da composição original da Bacia do Rio Paranaíba: a espécie foi introduzida no sistema e hoje aparece entre os peixes associados à pesca esportiva nos reservatórios. Essa presença exige atenção ambiental, pois, enquanto o peixe movimenta o turismo, a introdução de espécies também pode impactar populações nativas. Por isso, o manejo e o acompanhamento das condições do rio são importantes para manter a atividade de forma sustentável.

Um lago maior que Goiânia

A dimensão do reservatório ajuda a explicar o potencial turístico de Itumbiara. A represa da usina tem cerca de 778 km² de área inundada, com perímetro de aproximadamente 2,4 mil quilômetros. A usina fica entre Itumbiara, em Goiás, e Araporã, em Minas Gerais, com capacidade instalada de 2.082 megawatts.

Além de gerar energia, o reservatório passou a integrar atividades de turismo, esportes náuticos e pesca. A Goiás Turismo, inclusive, inclui Itumbiara na Região Turística Lagos do Paranaíba, que reúne municípios que exploram justamente a relação com rios, lagos e lazer ligado à água.

A pesca também movimenta o turismo

Quem viaja para pescar raramente busca apenas o momento da captura. A experiência envolve deslocamento, hospedagem, alimentação, equipamentos e, muitas vezes, contratação de guias e aluguel de embarcações. Por consequência, a pesca esportiva movimenta uma cadeia de serviços: hotéis e pousadas recebem visitantes, restaurantes atendem grupos de pescadores, lojas vendem equipamentos e iscas, e oficinas ligadas a barcos também entram nessa engrenagem. Os guias ajudam os visitantes a encontrar os melhores pontos e a conhecer as características do reservatório.

A cidade já colocou a atividade no calendário de eventos. Em 2022, a Prefeitura realizou o Pesca Itumbiara, torneio no Rio Paranaíba com modalidades embarcada e caiaque, que incluiu ainda uma ação ambiental com remada e recolhimento de resíduos — mostrando uma relação importante para o turismo de natureza: aproveitar o rio sem deixar de cuidar dele.

Vista aérea da Avenida Beira Rio e do Rio Paranaíba, em Itumbiara, município que integra a Região Turística Lagos do Paranaíba e atrai visitantes para a pesca esportiva (Foto: Reprodução)
Vista aérea do Rio Paranaíba, em Itumbiara, município do sul de Goiás que integra a Região Turística Lagos do Paranaíba e atrai visitantes para a pesca esportiva do tucunaré – Foto: Reprodução

A cidade oferece outros passeios

Mesmo para quem não pretende passar o dia com a vara na mão, Itumbiara tem atrações que completam o roteiro. A Avenida Beira Rio concentra parte da relação da cidade com o Paranaíba e é um bom espaço para contemplar a paisagem. Outro ponto conhecido é a Ponte Pênsil Affonso Penna, que atravessa o rio e é uma das construções históricas mais famosas da cidade. O roteiro ainda pode incluir o Museu da Cultura e áreas do Centro Histórico, e quem prefere a água encontra passeios de barco e experiências náuticas. Assim, a cidade atende diferentes perfis: o pescador encontra o tucunaré, as famílias aproveitam o rio e quem gosta de história tem o que visitar.

A pesca exige atenção às regras

Quem pretende pescar no Paranaíba precisa consultar as regras ambientais antes de sair de casa. Em Goiás, a legislação estabelece períodos de defeso e normas específicas. A Instrução Normativa nº 17/2026, por exemplo, define o defeso anual entre 1º de novembro e 28 de fevereiro nas bacias dos rios Araguaia-Tocantins, Paranaíba e São Francisco. Durante esse período, a pesca esportiva e a conduzida ficam sujeitas a regras específicas nos reservatórios, incluindo a captura e soltura.

Além disso, como o Paranaíba atravessa Goiás e Minas Gerais, o pescador precisa verificar as normas aplicáveis ao trecho escolhido — licenças, períodos de restrição, espécies permitidas e modalidades podem variar conforme o local. Por isso, a orientação é conferir as regras oficiais antes da viagem.

Itumbiara encontrou no Rio Paranaíba um dos elementos que formam sua identidade turística. O tucunaré aparece como um dos principais atrativos, e sua fama de peixe resistente transforma cada captura em uma disputa entre pescador e animal. Ao mesmo tempo, o tamanho do reservatório amplia as possibilidades de lazer. No fim, a viagem não depende só da quantidade de peixes fisgados: o próprio cenário do Paranaíba já é parte da atração — e, quando o tucunaré ataca a isca, começa justamente a parte mais esperada da pescaria.

Guia do Viajante — Pesca e lazer em Itumbiara

Onde fica

No Sul de Goiás, às margens do Rio Paranaíba, na divisa com Minas Gerais. Integra a Região Turística Lagos do Paranaíba.

Como chegar

Itumbiara fica a cerca de 200 km de Goiânia, aproximadamente 2h30 de carro pela BR-153.

O grande atrativo

A pesca esportiva do tucunaré no reservatório da Usina Hidrelétrica de Itumbiara, um lago de cerca de 778 km² — maior que a área de Goiânia.

Outras atrações

Passeios de barco e esportes náuticos no reservatório, a Avenida Beira Rio, a histórica Ponte Pênsil Affonso Penna, o Museu da Cultura e o Centro Histórico.

Atenção às regras de pesca

Há período de defeso (de 1º de novembro a 28 de fevereiro, conforme a Instrução Normativa nº 17/2026) e normas específicas para captura e soltura. Como o rio divide Goiás e Minas, confira as licenças e regras do trecho escolhido antes de viajar.

Dica de quem conhece

Contrate um guia local: além de conhecer os melhores pontos do imenso reservatório, ele domina as regras ambientais e ajuda a evitar problemas com o defeso e o licenciamento. Pratique o pesque e solte para ajudar a preservar o equilíbrio do rio. E, mesmo que a pesca seja o foco, reserve um tempo para a Avenida Beira Rio ao entardecer e para a Ponte Pênsil — o Paranaíba rende boas paisagens fora d’água também. Vá com protetor solar, chapéu, muita água e roupas leves: o sol do Sul goiano é forte sobre a água.

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