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Uma extensa faixa de areia no alto da Serra Dourada forma uma paisagem incomum no interior de Goiás. O areal fica numa região cercada pelo Cerrado, longe do litoral — e é justamente por isso que o cenário ganhou o apelido de “praia sem mar”. Além da areia, paredões, morros e vegetação compõem a paisagem protegida pelo Parque Estadual da Serra Dourada (PESD).

O parque se estende por Cidade de Goiás, Mossâmedes e Buriti de Goiás. Segundo o Governo de Goiás, a unidade abrange aproximadamente 30 mil hectares, e a Serra Dourada alcança 1.080 metros de altitude em seu ponto mais elevado. O acesso é feito por Mossâmedes, a 151 quilômetros de Goiânia. Atualmente, porém, a regularização fundiária limita a visitação à Reserva Biológica da Universidade Federal de Goiás (UFG).

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A “praia sem mar” divide espaço com grutas e formações rochosas

O areal é apenas uma parte do patrimônio natural da Serra Dourada. O parque também reúne cursos d’água cercados por matas de galeria, grutas, mirantes e formações rochosas que lembram uma cidade de pedra. Essa variedade de ambientes reforça a importância da área para a conservação do Cerrado.

O relevo ajuda a explicar outra característica marcante da paisagem. A Semad classifica a formação da região como “Hog Back”, fenômeno geomorfológico caracterizado pelo agrupamento de morros. Assim, quem observa a serra dos mirantes encontra uma sequência de elevações que se prolonga pelo horizonte. O conjunto rochoso resulta de processos tectônicos que moldaram a configuração atual do maciço.

Areal no Parque Estadual da Serra Dourada (PESD), em Mossâmedes, Goiás — Foto: Jucimar de Sousa

Um parque que protege as nascentes do Cerrado

O Governo de Goiás criou o Parque Estadual da Serra Dourada em 2003, por meio do Decreto nº 5.768. Desde então, a unidade busca preservar o maciço rochoso e seus recursos naturais, com destaque para a proteção de nascentes, mananciais, fauna, flora e paisagens. A Serra Dourada funciona ainda como divisor de importantes sistemas hidrográficos da região.

A vegetação revela diferentes formações do Cerrado. Segundo a Semad, a área possui floresta semidecídua, floresta de galeria, buritizal, campo limpo, cerrado sensu stricto e cerrado rupestre. Entre as espécies está o pau-papel (Tibouchina papyrus), árvore endêmica do Cerrado e símbolo de Goiás. Dessa forma, o parque protege uma paisagem que combina diversidade vegetal, recursos hídricos e patrimônio geológico.

As areias coloridas acrescentam outro elemento singular ao cenário. Os diferentes tons do areal ganharam espaço na cultura goiana pelas mãos da artista plástica Goiandira do Couto, que usou as areias da serra como matéria-prima em suas obras, transformando as tonalidades naturais em elemento de sua produção artística.

Visitação exige planejamento e autorização

A Reserva Biológica da UFG fica no topo da Serra Dourada e concentra a visitação autorizada atualmente. Atividades técnicas, científicas, pedagógicas ou com grupos numerosos exigem agendamento antecipado junto à administração da unidade.

A UFG orienta os visitantes a solicitar o acesso com antecedência: o pedido para visitar a Reserva Biológica Professor José Ângelo Rizzo deve chegar pelo menos dez dias antes da atividade. Portanto, quem pretende conhecer a região precisa organizar a visita previamente. O controle busca conciliar o interesse pelo cenário com a conservação de uma área de relevância ambiental, geológica e científica.

Areal no Parque Estadual da Serra Dourada (PESD), em Mossâmedes, Goiás — Foto: Jucimar de Sousa

O que fazer em Mossâmedes além da “praia sem mar”

Além da natureza, Mossâmedes preserva lugares ligados à formação histórica do município. No centro, a Igreja Matriz de São José representa parte desse patrimônio e remete ao período colonial. A cidade também abriga a Praça Leinor Oliveira dos Santos, onde fica a Fonte da Biquinha — no passado, ponto onde os moradores buscavam água.

Quem passa pelo município ainda encontra praças e tradições que mantêm a ligação com a cultura do interior goiano. A Praça Acylino Luiz Pereira, por exemplo, funciona como espaço de convivência na região central, enquanto as manifestações religiosas e rurais reforçam a identidade local ao longo do ano. Assim, uma passagem por Mossâmedes pode unir o patrimônio natural da Serra Dourada à história e à cultura do centro da cidade.

Guia do Viajante — Serra Dourada e a “praia sem mar”

Onde fica

No Parque Estadual da Serra Dourada, que abrange Cidade de Goiás, Mossâmedes e Buriti de Goiás. O acesso principal é por Mossâmedes.

Como chegar

Mossâmedes fica a cerca de 151 km de Goiânia (aproximadamente 2h30 de carro).

Atenção à visitação

Por causa da regularização fundiária, a visitação autorizada se concentra atualmente na Reserva Biológica da UFG (Professor José Ângelo Rizzo), no topo da serra. O pedido de acesso deve ser feito à UFG com pelo menos dez dias de antecedência. Atividades técnicas, científicas, pedagógicas ou com grupos grandes exigem agendamento prévio.

Areal no Parque Estadual da Serra Dourada (PESD), em Mossâmedes, Goiás — Foto: Jucimar de Sousa

O que ver

O areal conhecido como “praia sem mar”, as areias coloridas, grutas, mirantes, formações rochosas que lembram uma cidade de pedra e a vegetação típica do Cerrado, incluindo o pau-papel, árvore símbolo de Goiás.

Melhor época

A estação seca (de maio a setembro) tende a ser mais indicada para caminhadas e para apreciar as paisagens dos mirantes, com trilhas mais firmes.

O que levar

Água, protetor solar, chapéu, calçado apropriado para trilha e câmera para registrar as areias coloridas e a vista do alto da serra.

Dica de quem conhece

Programe-se com folga: como o acesso depende de autorização prévia da UFG com dez dias de antecedência, deixe isso resolvido antes de marcar a viagem. Aproveite para combinar a visita à Serra Dourada com um passeio por Mossâmedes e, se der, pela vizinha Cidade de Goiás, Patrimônio Mundial da UNESCO, que fica na mesma região — assim você une natureza, história e cultura num só roteiro. E leve para casa a curiosidade sobre as areias coloridas: saber que elas viraram arte nas mãos de Goiandira do Couto dá outro sentido à paisagem.

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