Massa fininha, levemente salgada e delicada, que praticamente derrete na boca. No recheio, um generoso doce de leite que equilibra sabor e tradição. Assim é o pastelinho, doce típico da Cidade de Goias, símbolo da culinária regional e parte da identidade cultural do estado.
O quitute, que pode lembrar o aljafor argentino pela combinação de massa leve e doce de leite, tem características próprias e está profundamente ligado à história da antiga capital goiana.
Tradição nas cozinhas da antiga capital
Na Cidade de Goiás, é comum encontrar docerias, confeitarias e até residências com placas anunciando a venda do pastelinho feito de forma artesanal. O preparo mantém técnicas transmitidas entre gerações, com atenção especial à textura da massa — que deve ser manuseada com delicadeza, usando apenas a ponta dos dedos.
Segundo registros históricos, o doce existe desde o período dos bandeirantes, no século XVII, quando o município ainda era chamado de Vila Boa. No entanto, ganhou projeção estadual a partir da década de 1950, quando passou a ser produzido e difundido por Cora Coralina, uma das figuras culturais mais emblemáticas de Goiás.
Desde então, o pastelinho tornou-se referência gastronômica e afetiva da cidade.

Patrimônio cultural e imaterial
O reconhecimento oficial ocorreu em 21 de julho de 2023, quando a Assembleia Legislativa declarou o pastelinho patrimônio cultural e imaterial de Goiás, por meio de lei de autoria do deputado Coronel Adailton.
A legislação valoriza não apenas o doce em si, mas também o saber-fazer das doceiras da Cidade de Goiás, responsáveis por manter viva a tradição artesanal ao longo das décadas.

Receita tradicional do pastelinho de Goiás
Apesar de simples, o preparo exige técnica e cuidado no manuseio da massa.
Ingredientes da massa
- 500 gramas de farinha de trigo
- 2 colheres de sopa de margarina
- 2 colheres de sopa de banha de porco
- 1 pitada de sal
- 1 colher rasa de fermento
- Leite até dar o ponto
Recheio
- Doce de leite (caseiro ou pronto)
Cobertura
- Canela em pó a gosto

Modo de preparo
- Em uma vasilha, misture a farinha de trigo e o fermento.
- Acrescente a margarina e a banha, incorporando delicadamente com a ponta dos dedos até formar uma farofa úmida.
- Adicione o leite aos poucos, misturando suavemente até a massa desgrudar das mãos.
- Cubra com um pano e deixe descansar por cerca de 10 minutos.
- Forre forminhas próprias com uma camada bem fina de massa.
- Leve ao forno por aproximadamente 10 minutos, até ficar levemente dourada e crocante.
- Recheie com doce de leite, sem excessos, e finalize com canela em pó.
O resultado é um doce delicado, crocante e equilibrado, que atravessa gerações como símbolo da cultura gastronômica goiana.









