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Fragmentos de um dos cometas mais famosos da história poderão iluminar o céu brasileiro entre a noite desta quarta-feira, 21 de outubro, e a madrugada de quinta (22). A chuva de meteoros Orionídeas, formada por partículas deixadas pelo cometa Halley, atinge seu período de maior atividade e pode produzir até 20 meteoros por hora em condições ideais. O fenômeno será visível em todo o Brasil, inclusive em Goiás, sem necessidade de telescópios ou qualquer equipamento.

A quantidade de meteoros visíveis, porém, depende das condições de observação. A Lua crescente, ainda bastante iluminada, pode esconder os rastros menos brilhantes durante parte da noite. Por isso, a Nasa recomenda priorizar as horas que antecedem o amanhecer, quando a Lua já estiver abaixo do horizonte.

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O Halley não precisa voltar para provocar a chuva de meteoros

Embora a chuva tenha origem no Halley, o cometa não está passando perto da Terra agora. Ele segue uma órbita alongada ao redor do Sol e leva, em média, 76 anos para completar uma volta. Em suas passagens pela região interna do Sistema Solar, o calor solar libera gases e poeira de seu núcleo, e parte desse material fica espalhada pela trajetória. Quando a Terra atravessa uma dessas regiões, os fragmentos entram na atmosfera em alta velocidade e produzem as “estrelas cadentes”. Segundo a Nasa, as partículas das Orionídeas podem atingir 66 km por segundo — cerca de 238 mil km/h —, então até objetos minúsculos produzem rastros luminosos.

O nome vem da constelação das Três Marias

A chuva recebeu esse nome por causa da constelação de Órion, uma das mais conhecidas do céu. Na mitologia grega, Órion é um caçador; na astronomia, abriga estrelas como Betelgeuse e Rigel. No Brasil, a constelação também é identificada pelas Três Marias (Alnitak, Alnilam e Mintaka), que formam o cinturão do personagem. Os meteoros parecem surgir de uma região próxima a Betelgeuse, chamada de radiante — mas isso é efeito da perspectiva, então não é preciso olhar diretamente para Órion, já que os rastros podem aparecer em diferentes pontos do céu.

Meteoro da chuva Orionídeas cruza o céu em registro feito em outubro de 2007. — Foto: Brocken Inaglory/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Um cometa que já foi sinal de guerras e tragédias

Muito antes de os astrônomos entenderem sua trajetória, o Halley provocava medo e fascínio. Registros chineses confirmam sua observação em 240 a.C., e por séculos os povos associaram cometas a mudanças políticas, mortes de governantes e eventos sobrenaturais. Uma das aparições mais conhecidas foi em 1066, durante a conquista normanda da Inglaterra: o cometa surgiu meses antes da Batalha de Hastings e aparece na Tapeçaria de Bayeux — mau presságio para os ingleses, sinal de vitória para os normandos.

O nome homenageia o astrônomo inglês Edmond Halley (1656–1742), que, em 1705, usando as leis da gravitação de Newton, demonstrou que aparições de 1531, 1607 e 1682 eram do mesmo corpo celeste. Ele previu o retorno em 1758, mas morreu antes de confirmá-lo — o cometa reapareceu em dezembro daquele ano, e passou a ser conhecido como 1P/Halley (o “P” indica cometa periódico; o “1”, o primeiro a receber designação oficial).

De 1910 a 1986, e a próxima visita em 2061

Em 1910, a presença do gás cianogênio na cauda gerou boatos de envenenamento em massa — sem fundamento, pela baixíssima concentração —, e até surgiram produtos vendidos como “proteção”. A passagem ocorreu sem catástrofe, e os astrônomos obtiveram os primeiros registros fotográficos. A visita mais recente foi em 1986, quando sondas como a Giotto (da ESA), além de missões soviéticas e japonesas, estudaram o cometa de perto, revelando um núcleo irregular de cerca de 15 km por 8 km, de gelo, poeira e rocha, com superfície escuríssima (reflete só 3% da luz solar). Quem quiser ver o Halley em si terá de esperar até 2061. Enquanto isso, seus vestígios rendem dois eventos por ano: as Eta Aquáridas, em maio, e as Orionídeas, em outubro.

Melhor horário para ver em Goiás

Para quem quer acompanhar em Goiânia e no interior, a madrugada de 22 de outubro é a melhor janela. A Lua crescente gibosa pode atrapalhar no começo da noite, mas as condições melhoram depois que ela some no horizonte, pouco antes do amanhecer. O Observatório Nacional orienta olhar para a região nordeste ou norte do céu, mantendo o olhar ligeiramente afastado de Órion. Em áreas urbanas, a iluminação reduz os rastros visíveis — por isso, lugares seguros e longe das luzes rendem muito mais. A previsão de 10 a 20 meteoros por hora vale para ambientes ideais, não é uma garantia para todos.

→ Sugestão de link interno (início): matéria sobre astroturismo em Goiás (Mirante do Alto, “Goiás Cidade Estelar”) ou sobre a Chapada dos Veadeiros. → Sugestão de link interno (fim): guia de pôr do sol em Goiás ou de destinos de natureza para observar o céu.

Chuva de meteoros Orionídeas ilumina o céu nesta noite

Guia do Viajante — Como ver as Orionídeas em Goiás

Quando

Pico entre a noite de 21 e a madrugada de 22 de outubro de 2026. A melhor janela é antes do amanhecer, quando a Lua já está abaixo do horizonte.

Precisa de equipamento?

Não. O fenômeno é visível a olho nu — basta tempo para os olhos se acostumarem ao escuro (cerca de 20 a 30 minutos).

Para onde olhar

Região nordeste ou norte do céu, com o olhar ligeiramente afastado da constelação de Órion (as Três Marias). Os rastros podem surgir em vários pontos.

Onde ver em Goiás

Quanto mais longe das luzes da cidade, melhor. Fuja da iluminação urbana de Goiânia: áreas rurais, serras e destinos de céu limpo rendem muito mais. A Chapada dos Veadeiros (Alto Paraíso, Vila de São Jorge) e a região da Cidade de Goiás / Serra Dourada são conhecidas pelo céu estrelado e pelo astroturismo.

Quantos vou ver?

De 10 a 20 por hora em condições ideais — com a Lua e a luz da cidade, tende a ser menos. Paciência é parte do programa.

Dica de quem conhece

O segredo é escuridão e conforto: escolha um local seguro e afastado das luzes, leve uma canga ou cadeira reclinável para olhar o céu sem forçar o pescoço, e um agasalho, porque a madrugada esfria. Evite mexer no celular (a luz da tela atrapalha a adaptação dos olhos ao escuro). Se puder, transforme a noite em um miniroteiro: a Chapada dos Veadeiros é um dos melhores lugares do país para observar o céu, então vale emendar a chuva de meteoros com um fim de semana por lá. E não precisa de telescópio — só olhar para cima, com tempo e paciência, e aproveitar o espetáculo que o Halley deixou de presente.

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