No coração do Cerrado goiano existe um cenário que desafia expectativas. Quem pensa que Goiás é feito apenas de cachoeiras e chapadas verdes se surpreende ao descobrir um verdadeiro “deserto de pedras” esculpido pelo tempo. Estamos falando de Paraúna e da impressionante Serra das Galés, um dos cenários naturais mais curiosos e fotogênicos do estado.
A cerca de 150 km de Goiânia, Paraúna guarda um conjunto de formações rochosas que lembram esculturas gigantes espalhadas por uma paisagem árida, silenciosa e quase mística. Não à toa, a região ganhou o apelido de “deserto de pedras de Goiás”. O destino é ideal para quem busca natureza, contemplação e cenários fora do óbvio.

Onde fica Paraúna e como chegar
Paraúna está localizada na região Sudoeste de Goiás, a aproximadamente 150 km de Goiânia e cerca de 330 km de Brasília. O acesso é feito principalmente por rodovias estaduais e federais, com trajeto tranquilo para quem viaja de carro.
Saindo de Goiânia, o percurso leva em média de 2h30 a 3h. A estrada é asfaltada na maior parte do caminho, e o visual começa a mudar conforme o visitante se aproxima da cidade: o verde típico do Cerrado dá lugar a áreas mais abertas, com morros rochosos que surgem no horizonte.
A Serra das Galés fica a poucos quilômetros do centro urbano, o que facilita a visita. Ainda assim, é recomendável ir de carro ou contar com apoio local para explorar melhor os mirantes e formações específicas.

O que é a Serra das Galés
A Serra das Galés é um conjunto de formações rochosas naturais moldadas ao longo de milhões de anos por processos de erosão. O desgaste do vento e da chuva esculpiu blocos de arenito e outras rochas sedimentares, criando figuras que lembram animais, objetos e até rostos humanos.
O resultado é um verdadeiro museu a céu aberto.
O apelido de “deserto de pedras” vem da paisagem predominantemente rochosa, com vegetação mais rasteira e espaçada. Em determinados horários do dia, especialmente no pôr do sol, a luz alaranjada transforma o cenário e reforça a atmosfera quase cinematográfica do lugar.

As formações mais curiosas
Um dos grandes atrativos da Serra das Galés é a possibilidade de identificar formas nas pedras. Entre as mais conhecidas estão:
- Pedra do Elefante
- Pedra da Tartaruga
- Pedra do Camelo
- Pedra do Cálice
- Pedra da Galinha
Os nomes surgiram da imaginação popular e ajudam a tornar o passeio mais interativo. Caminhar pela serra é quase como participar de uma descoberta geológica a céu aberto.
Para quem gosta de fotografia, o local oferece contraste marcante entre as rochas, o céu azul intenso e a vegetação típica do Cerrado.

Por que chamam de “deserto de pedras”?
Apesar de Goiás não possuir desertos no sentido climático — já que o estado está inserido no bioma Cerrado, com estação chuvosa bem definida — a Serra das Galés apresenta um aspecto visual que remete a regiões áridas.
O solo exposto, a predominância de rochas e a vegetação esparsa criam essa impressão. Em dias de calor intenso, o ar seco e a luminosidade reforçam ainda mais essa sensação.
Ainda assim, trata-se de uma formação típica do Cerrado brasileiro, um dos biomas mais ricos em biodiversidade do planeta.

O que fazer na Serra das Galés
Trilhas e contemplação
A visita envolve caminhadas por trilhas naturais entre as formações rochosas. Não são percursos técnicos, mas exigem atenção por causa do terreno irregular. A recomendação é usar calçados fechados, levar água e evitar os horários de sol mais forte.
Pôr do sol
O fim da tarde é considerado o momento mais marcante da visita. O pôr do sol colore as pedras com tons dourados e avermelhados, criando uma paisagem que atrai fotógrafos e visitantes em busca de contemplação.
Produção de conteúdo e observação do céu
O destino vem ganhando destaque nas redes sociais pelo visual incomum. Além disso, em noites de céu limpo, a baixa poluição luminosa favorece a observação do céu estrelado.
Melhor época para visitar
A estação seca, entre maio e setembro, costuma ser a melhor época para conhecer a região. Nesse período:
- As trilhas ficam mais seguras.
- O céu tende a permanecer mais limpo.
- O pôr do sol é ainda mais definido.
Na estação chuvosa, entre outubro e abril, a paisagem ganha mais tons de verde, mas alguns trechos podem ficar escorregadios.

Turismo responsável
Como se trata de uma área natural sensível, a preservação depende do comportamento consciente dos visitantes. É importante:
- Não subir em formações frágeis.
- Não riscar ou danificar as rochas.
- Recolher todo o lixo.
- Respeitar fauna e flora locais.
A conservação do local é fundamental para manter o potencial turístico e científico da região.

Paraúna além da serra
Embora a Serra das Galés seja o principal cartão-postal, Paraúna também se destaca pelo potencial geológico e por outras paisagens naturais, como morros e paredões rochosos.
A cidade mantém o clima típico do interior, com restaurantes simples e culinária regional. Pratos como arroz com pequi, empadão goiano e galinhada fazem parte da experiência.

Roteiro rápido de fim de semana
Dia 1
- Chegada pela manhã
- Almoço na cidade
- Tarde explorando a Serra das Galés
- Pôr do sol nas formações rochosas
Dia 2
- Passeio por outros pontos naturais da região
- Café da manhã típico
- Retorno no início da tarde
É um destino viável para viagens curtas saindo de Goiânia.
Um Goiás além do óbvio
Muitos viajantes associam turismo em Goiás a destinos consolidados, como a Chapada dos Veadeiros ou Pirenópolis. No entanto, Paraúna surge como alternativa menos explorada e igualmente surpreendente.
A Serra das Galés revela um Goiás diferente, marcado por formações geológicas singulares e paisagens que fogem do padrão mais conhecido do estado.
Para quem busca um destino fotogênico, acessível e ainda pouco massificado, o chamado “deserto de pedras” pode ser uma das descobertas mais interessantes do interior goiano.









