Quando o inverno derruba as temperaturas e esvazia as praias no Sul e Sudeste do Brasil, a busca por destinos aquecidos ganha força e faz milhares de viajantes trocarem os casacos pelas águas termais de Goiás. Em julho de 2026, esse fluxo bateu um recorde histórico: Caldas Novas e Rio Quente receberam mais de 1 milhão de turistas, segundo a Secretaria Municipal de Turismo e Eventos. O número superou de longe a previsão de 700 mil pessoas, atraídas por um oceano subterrâneo que brota naturalmente a 37 °C.
A abundância natural da região deu origem a complexos de lazer de grande porte, integrados à vegetação nativa da Serra de Caldas. A gigantesca infraestrutura hoteleira local reúne resorts e parques aquáticos modernos que movimentam cerca de R$ 3 bilhões por ano, consolidando Caldas Novas como um dos maiores complexos hidrotermais do mundo.

A ciência que explica a chuva milenar
Diferentemente do que muitos imaginam, o aquecimento das piscinas não tem qualquer ligação com vulcões. Trata-se de um fenômeno geológico raro, em que a água das chuvas é captada pela vegetação da Serra de Caldas e se infiltra nas rochas de quartzito, descendo a mais de mil metros de profundidade.
Lá embaixo, o calor do próprio interior do planeta esquenta o manancial até a água atingir cerca de 57 °C nos pontos mais fundos do subsolo. Depois desse superaquecimento, a pressão a empurra de volta para cima, permitindo que chegue às piscinas dos resorts estabilizada nos agradáveis 37 °C. Pesquisas acompanhadas por universidades do Centro-Oeste e divulgadas pelo Ministério do Turismo indicam que o banho aproveitado hoje nos resorts começou como chuva há mais de mil anos — daí a ideia da “chuva milenar” que abastece o destino.

Guia do Viajante — Águas termais de Caldas Novas e Rio Quente
Onde fica
No sul goiano, a região reúne Caldas Novas e a vizinha Rio Quente, reconhecidas entre as principais estâncias hidrotermais do mundo.
Como chegar
De Goiânia, são cerca de 170 km até Caldas Novas (aproximadamente 2h30 de carro). A cidade também tem aeroporto, com voos na alta temporada, e Rio Quente fica pertinho, com acesso pela GO-507.
O que faz a região especial
Um fenômeno geológico raro ocorre na Serra de Caldas. A água da chuva se infiltra no solo e é aquecida pelo calor da Terra a mais de mil metros de profundidade. Depois, retorna à superfície a cerca de 37 °C, sem qualquer relação com vulcões.

O que fazer
Aproveite os parques aquáticos e as piscinas termais dos resorts para relaxar nas águas quentes. Para variar o passeio, conheça também a natureza do Parque Estadual da Serra de Caldas Novas.
Quando ir
O inverno (com destaque para julho) é o auge da procura, quando as águas quentes ficam ainda mais convidativas — e também o período mais concorrido. Quem prefere sossego pode buscar a baixa temporada, já que as fontes são igualmente boas o ano todo.
Dica de quem conhece
Se a ideia é fugir do frio como faz a maioria, reserve hospedagem com boa antecedência para julho e os feriados, quando a ocupação chega perto do limite e os preços sobem. Prefere tranquilidade? As águas mantêm os 37 °C o ano inteiro, então vale escapar dos picos e curtir a região com mais calma. Reserve um dia inteiro para um parque aquático e outro para relaxar nas piscinas do hotel, sem pressa, e leve protetor solar e chapéu — mesmo no inverno, o sol goiano pede cuidado entre um mergulho e outro.









