Poucos goianienses sabem, mas Goiânia guarda um tesouro arquitetônico de reconhecimento internacional. A cidade abriga o maior conjunto art déco do Brasil — e o segundo do mundo, atrás apenas de Miami. Em 2003, o Iphan tombou 22 bens no núcleo pioneiro da capital, erguidos nas primeiras décadas da cidade e concentrados, sobretudo, no Centro.
O estilo, com suas linhas geométricas, simetria e elegância, foi a linguagem escolhida para os primeiros prédios públicos da capital planejada, construídos principalmente entre as décadas de 1940 e 1950. O melhor de tudo: boa parte desse acervo pode ser conhecida a pé, numa caminhada pelo Centro. Montamos um roteiro com sete paradas para você viver a história da cidade pelos seus próprios monumentos.

1. Praça Cívica — o coração do conjunto
O marco zero de Goiânia é também o centro do acervo art déco. A Praça Cívica reúne 12 dos 22 bens tombados pelo Iphan. Dela partem as grandes avenidas do traçado radial da cidade, e ao seu redor se concentram os edifícios do poder e os monumentos mais emblemáticos. É o melhor ponto de partida.

2. Palácio das Esmeraldas
Na própria Praça Cívica, a sede do Governo do Estado e residência oficial do governador. Projetado pelo urbanista Attílio Corrêa Lima e construído entre dezembro de 1933 e março de 1937, é um dos exemplares mais importantes do conjunto e ocupa justamente a área onde foi lançada a pedra fundamental da cidade.

3. Coreto da Praça Cívica
No início da Avenida Goiás, o Coreto da Praça Cívica é uma das construções mais emblemáticas de Goiânia em estilo art déco, projetado pelo arquiteto Jorge Félix de Souza e tombado pelo Iphan, com destaque para a riqueza de detalhes e as formas geométricas.

4. Museu Zoroastro Artiaga
Também no entorno da Praça Cívica, o museu reúne acervo sobre a história da cidade e da região. Guarda, inclusive, a urna enterrada em 1942 durante o Batismo Cultural de Goiânia, e é tombado pelo Iphan.

5. Teatro Goiânia
Um dos cartões-postais da capital. Inaugurado em 1942, conserva o interior art déco original e recebe espetáculos durante todo o ano. Vale apreciar a fachada e, se houver programação aberta, conhecer o interior.

6. Lyceu de Goiânia
A instituição de ensino mais antiga da capital, na Rua 21, Setor Central, iniciou as obras em 1936 e foi inaugurada em 1937. Sua construção art déco está entre os bens tombados e guarda a memória da educação goiana.

7. Avenida Goiás e a Torre do Relógio
Para fechar, a própria Avenida Goiás — uma das vias que partem da Praça Cívica no traçado radial — funciona como um corredor da história da cidade. A Torre do Relógio é um marco conhecido do Centro e ponto de referência para encerrar a caminhada, sentindo a Goiânia que nasceu nos anos 1930.
Mais do que prédios antigos, esse conjunto conta como a capital foi pensada e erguida. Caminhar por ele é ler a história de Goiânia escrita em concreto, linhas e simetria.
→ Sugestão de link interno (início): matéria “a capital planejada” (traçado radial e Praça Cívica) ou a série de aniversário da capital. → Sugestão de link interno (fim): guia “o que fazer em Goiânia” ou matéria sobre os museus/Teatro Goiânia

Guia do Viajante — Roteiro a pé pelo Art Déco de Goiânia
Onde começar
Na Praça Cívica, no Setor Central — o coração do conjunto, com 12 dos 22 bens tombados.
O roteiro (tudo caminhável)
- Praça Cívica
- Palácio das Esmeraldas
- Coreto da Praça Cívica
- Museu Zoroastro Artiaga
- Teatro Goiânia
- Lyceu de Goiânia
- Avenida Goiás / Torre do Relógio
Quanto tempo reservar
Uma manhã ou uma tarde dá conta do percurso com calma, incluindo paradas para fotos e para visitar os museus.
Quando ir
Prefira o início da manhã ou o fim da tarde, quando o calor cede — e outubro, mês do aniversário de Goiânia, é a época ideal, com programação especial pela cidade. Confira antes os horários do Teatro Goiânia e dos museus, que têm dias e sessões próprios.
O contexto
O conjunto art déco de Goiânia é o maior do Brasil e o segundo do mundo (atrás de Miami), tombado pelo Iphan em 2003 — 22 bens erguidos nas primeiras décadas da capital.
Dica de quem conhece
Faça o roteiro a pé de verdade: é caminhando que se percebe como a cidade foi desenhada: a Praça Cívica como ponto irradiador e as avenidas saindo dela como raios. Vá de calçado confortável, leve água, chapéu e protetor solar (o sol de Goiânia não perdoa) e reserve tempo para observar os detalhes — as linhas geométricas, a simetria e os relevos são a assinatura do art déco. Comece e termine pela Praça Cívica para fechar o circuito, e, se puder, confira a agenda do Teatro Goiânia para conhecer o interior original de 1942. É um dos passeios mais ricos — e gratuitos — da capital.









