Os Caminhos do Planalto Central formam uma rota de aproximadamente 400 quilômetros entre Brazlândia, no Distrito Federal, e Formosa, em Goiás, que atravessa áreas protegidas e reúne paisagens do Cerrado, cachoeiras, pontos históricos e trechos urbanos de Brasília. O percurso, voltado a deslocamentos não motorizados, pode ser feito a pé, de bicicleta ou a cavalo e passa por sete unidades de conservação, segundo o Ministério do Turismo.
A proposta vai além de uma única trilha contínua. O sistema é formado por diferentes percursos que conectam a Floresta Nacional de Brasília, a Pedra Fundamental, no Morro do Centenário, e acessos em direção à Lagoa Feia, em Formosa, e à região da Barragem do Descoberto. Os trajetos permitem alternar áreas rurais, espaços naturais e pontos ligados à formação histórica e urbanística da capital federal.

Um sistema oficial de trilhas
Os Caminhos do Planalto Central não funcionam apenas como roteiro turístico. Desde 2021, o nome identifica também o Sistema Distrital de Trilhas Ecológicas do Distrito Federal, criado pela Lei nº 6.892. A legislação determina que as trilhas sejam destinadas a deslocamentos a pé, de bicicleta, a cavalo ou por outros meios não motorizados, com objetivos como a conservação da biodiversidade, a conexão entre áreas protegidas, a educação ambiental, a valorização de percursos históricos e o incentivo ao turismo sustentável e de base comunitária. Em 2026, o governo distrital instituiu o Dia da Caminhada nas Trilhas do Distrito Federal, celebrado no primeiro sábado de agosto.
Cerrado e patrimônio modernista no mesmo roteiro
Uma das marcas da rota é a combinação de ambientes naturais com a paisagem urbana de Brasília. Dependendo do trecho, o visitante passa por Cerrado, propriedades rurais, espaços religiosos e pontos da história da ocupação do Planalto Central. No setor urbano, o roteiro alcança elementos do Eixo Monumental, colocando a arquitetura e o desenho de Brasília no itinerário de uma trilha de longo curso. A capital está inscrita na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco desde 1987, reconhecida como exemplo determinante do urbanismo modernista do século XX, a partir do plano de Lucio Costa e da arquitetura de Oscar Niemeyer.
Três arcos, três experiências
Entre a Floresta Nacional de Brasília e a Pedra Fundamental, há três trajetos principais, com distâncias aproximadas que podem variar conforme o traçado. O Arco Brasília, com cerca de 90 quilômetros, concentra elementos cívicos, históricos e culturais, tendo o Eixo Monumental como uma das referências. O Arco Cafuringa, com cerca de 150 quilômetros, é o maior dos três e direciona a viagem a ambientes naturais, comunidades rurais e pontos de interesse religioso e histórico. Já o Arco União, também chamado de Trilha União, tem cerca de 90 quilômetros e reúne paisagem rural, gastronomia, manifestações culturais e locais ligados a práticas religiosas e espirituais.

O Parque Nacional de Brasília na conexão
Um dos trechos relevantes está no Parque Nacional de Brasília. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o sistema de visitação Cristal Água reúne mais de 30 quilômetros de vias sinalizadas para atividades autoguiadas. A ampliação dessas trilhas e sua incorporação ao Arco Brasília resultaram em um trecho de aproximadamente 21 quilômetros, usado para conectar o Parque Nacional à Floresta Nacional de Brasília por caminhada e ciclismo — ampliando as possibilidades de conhecer o Cerrado sem se afastar da área metropolitana.
Sinalização e identidade visual
As trilhas de longo curso brasileiras adotam uma identidade visual baseada em uma pegada nas cores preta e amarela, que pode receber símbolos do território atravessado. Nos Caminhos do Planalto Central, a identidade usa a Torre de TV Digital de Brasília como elemento central, servindo também de referência visual à distância. O ICMBio já realizou ações de produção e instalação de sinalização em trechos do sistema, inclusive por meio de oficinas com brigadistas e voluntários.
Parte da RedeTrilhas nacional
Em escala nacional, o percurso integra a Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade, conhecida como RedeTrilhas. A iniciativa foi instituída pela Portaria Conjunta nº 407, de 19 de outubro de 2018. A política federal reconhece trilhas importantes para conectar paisagens e ecossistemas. As rotas também incentivam a recreação em contato com a natureza e o turismo. Os trajetos podem ser percorridos a pé ou por meios não motorizados. Dados do Ministério do Turismo, divulgados em julho e agosto de 2026, apontam 246 trilhas no país. As rotas passam por 327 unidades de conservação e somam mais de 25 mil quilômetros planejados. A rede também contempla atividades como cicloturismo, montanhismo e observação de aves, fauna e flora.
A conexão com Goiás
Nas extremidades, os Caminhos do Planalto Central funcionam como ligação com outros itinerários. A conexão oriental segue em direção à Lagoa Feia, em Formosa, enquanto o eixo oeste alcança Brazlândia e a região do Descoberto. Nesses pontos, o sistema se conecta a rotas dos Caminhos dos Goyazes. A integração amplia as opções de deslocamento por trilhas entre diferentes áreas do Distrito Federal e de Goiás. A conexão segue o princípio de conectividade da política nacional de trilhas. A proposta considera esses percursos não apenas como espaços de lazer. As trilhas também ajudam a aproximar paisagens, áreas protegidas e comunidades.
Guia do Viajante — Caminhos do Planalto Central
O que é
Uma rota de trilhas de longo curso de cerca de 400 km, para deslocamento não motorizado (a pé, de bicicleta ou a cavalo), entre Brazlândia (DF) e Formosa (GO), passando por sete unidades de conservação.
O gancho goiano
A ponta oriental da rota chega a Formosa, no Entorno do DF, alcançando a Lagoa Feia e se conectando aos Caminhos dos Goyazes — uma boa porta de entrada para quem quer explorar o Cerrado goiano a pé ou de bike.
Como chegar a Formosa
Formosa fica a cerca de 280 km de Goiânia e a cerca de 80 km de Brasília, o que facilita o acesso pelo lado do DF.
Os três arcos
- Arco Brasília (cerca de 90 km): foco cívico, histórico e cultural, com o Eixo Monumental
- Arco Cafuringa (cerca de 150 km): o maior, voltado à natureza, comunidades rurais e pontos religiosos
- Arco União / Trilha União (cerca de 90 km): paisagem rural, gastronomia e cultura
Melhor época
A estação seca (de maio a setembro) é a mais indicada para trilhas no Cerrado, com menor risco de chuva e trechos mais firmes.
Antes de ir
Consulte mapas atualizados, condições do percurso e as regras de cada unidade de conservação — elas variam conforme o local e podem mudar por manejo ou manutenção. No Parque Nacional de Brasília, o ICMBio mantém informações sobre visitação e sobre o sistema Cristal Água.
Dica de quem conhece
Não encare os 400 km como um bloco único: a graça da rota está em escolher trechos conforme seu preparo e interesse. Para o público goiano, o segmento rumo a Formosa e à Lagoa Feia, com ligação aos Caminhos dos Goyazes, é o ponto de partida natural. Vá com água, protetor solar, chapéu, calçado de trilha e mapa baixado no celular, já que o sinal some nos trechos naturais. Siga a sinalização da pegada preta e amarela, respeite as regras das unidades de conservação e, sempre que possível, prestigie as comunidades e a gastronomia locais ao longo do caminho.









