Google search engine

Quando o bispo Dom Emanuel Gomes de Oliveira chegou a Goiás, em 1923, o estado ainda enfrentava grandes dificuldades para ampliar o acesso à educação. Havia poucas escolas, e o ensino superior praticamente não fazia parte da realidade local. Foi nesse cenário que o religioso salesiano começou a colocar em prática uma ideia que acompanharia toda a sua trajetória: transformar a educação em uma das principais ferramentas de desenvolvimento de Goiás.

Ao longo de mais de três décadas no estado, Dom Emanuel fundou escolas, incentivou a criação de instituições de ensino e trouxe diferentes congregações religiosas para atuar na educação. Além disso, trabalhou para criar as condições que levariam ao surgimento da primeira universidade do Centro-Oeste. Por isso, ganhou um apelido que resume parte de sua trajetória: “Arcebispo da Instrução”.

Google search engine

Quem foi Dom Emanuel Gomes de Oliveira

Emanuel Gomes de Oliveira nasceu em 9 de janeiro de 1874, em Benevente, atual Anchieta, no Espírito Santo, filho de José Gomes de Oliveira e Maria Matos de Oliveira. Aos sete anos, perdeu o pai, e ele e o irmão, Helvécio, ficaram sob a tutela do tio Quintiliano José do Amaral, vigário de Santo Antônio, no Rio de Janeiro.

A formação religiosa começou cedo. Os irmãos estudaram no Colégio Jesuíta São Luiz, em Itu (SP), e depois no Colégio Salesiano Santa Rosa, em Niterói. A experiência com os salesianos marcou sua trajetória: em 1891, ingressou na Congregação dos Padres Salesianos, em Lorena (SP), iniciando uma relação que permaneceria por toda a vida — a ligação entre religião e educação. Antes mesmo de se tornar padre, trabalhou como professor em instituições salesianas em Niterói, Lorena e São Paulo, sendo ordenado em 16 de junho de 1901.

Da sala de aula para Goiás

Depois da ordenação, assumiu diferentes funções: trabalhou no Colégio São Joaquim, em Lorena; dirigiu o Liceu São Gonçalo, em Cuiabá, entre 1903 e 1911; e comandou o Liceu Nossa Senhora Auxiliadora, em Campinas, onde ampliou a estrutura e fortaleceu ações de assistência social, catequese e educação, além de participar da criação da Escola Agrícola Campineira. A experiência acumulada ajudaria a moldar o trabalho que desenvolveria em Goiás.

Em 1922, retornou ao Rio de Janeiro e assumiu funções ligadas à direção de instituições salesianas. O papa Pio XI o nomeou bispo em 27 de outubro de 1922, e sua sagração episcopal ocorreu em 15 de abril de 1923, no Santuário Nossa Senhora Auxiliadora, em Niterói. Meses depois, em 5 de agosto, tomou posse como sétimo bispo de Goiás, na Igreja da Boa Morte, então Catedral provisória.

Dom Emanuel Gomes de Oliveira e a educação católica em Goiás - Arquidiocese  de Goiânia

Um Goiás com poucas escolas

Ao assumir a Diocese de Goiás, Dom Emanuel encontrou um cenário educacional muito diferente do atual, com poucas instituições de ensino e muitas regiões sem estrutura adequada. O bispo colocou a educação entre suas prioridades e buscou apoio de diferentes congregações. Os Salesianos chegaram a Silvânia e Goiânia; os Padres do Verbo Divino assumiram atividades do seminário; os Estigmatinos foram para Morrinhos; e os Franciscanos ampliaram sua presença em Anápolis. Ele também trouxe as Filhas de Maria Auxiliadora para Silvânia, as Agostinianas para Goiânia e as Dominicanas para a antiga capital, Goiânia e Formosa, além de reforçar a atuação das Franciscanas no Colégio Santa Clara. A estratégia ampliou a presença de instituições de ensino em diferentes regiões.

Um projeto que ultrapassava a educação básica

Dom Emanuel não pretendia limitar sua atuação à criação de escolas. Ele defendia uma estrutura educacional que acompanhasse o estudante em diferentes etapas e, por isso, estimulou também a criação de escolas paroquiais, levando o ensino para além dos grandes centros. Esse trabalho criou uma rede que ajudou a modificar o cenário educacional goiano nas décadas seguintes. Mas havia outro desafio: como levar o ensino superior a um estado que ainda construía sua própria estrutura educacional?

O caminho até o ensino superior

A atuação do bispo ajudou a criar as bases para o desenvolvimento do ensino superior em Goiás. O trabalho realizado durante seu episcopado contribuiu para a formação de instituições que, posteriormente, dariam origem à primeira universidade do Centro-Oeste. A expansão do ensino superior em Goiás ocorreu de forma gradual. Antes das universidades que hoje fazem parte do estado, houve a criação de escolas e estruturas educacionais. O período também contou com a formação de professores e a chegada de diferentes grupos religiosos. Dom Emanuel participou diretamente desse processo.

Por que ficou conhecido como “Arcebispo da Instrução”

A expressão não surgiu por acaso. Durante o período em que esteve à frente da Igreja em Goiás, entre 1923 e 1955, Dom Emanuel manteve a educação como uma das principais frentes de atuação: incentivou a criação de escolas, trouxe congregações, estimulou o ensino paroquial e criou articulações para ampliar a presença educacional no estado. Sua própria trajetória estava ligada ao ensino desde a juventude, quando trabalhou como professor e diretor de instituições educacionais — experiência que já trazia consolidada ao chegar a Goiás.

Um personagem que ajuda a entender Goiás

A história de Dom Emanuel também ajuda a entender um período de transformação do estado. Nas primeiras décadas do século 20, Goiás ainda buscava ampliar sua infraestrutura e integrar diferentes regiões, e a educação fazia parte desse processo. Naquele contexto, as escolas não eram apenas espaços de aprendizagem: também formavam professores, profissionais e lideranças que participariam da construção do estado. Dom Emanuel morreu em 1955, depois de 32 anos à frente da Igreja em Goiás, e seu legado ultrapassou o campo religioso. Antes de Goiás se consolidar como polo universitário, um bispo salesiano já trabalhava para criar as condições necessárias para que o ensino superior chegasse ao estado.

Entenda a Trajetória

Quem foi

Dom Emanuel Gomes de Oliveira (1874–1955), bispo salesiano conhecido como “Arcebispo da Instrução” pela atuação na educação goiana.

Origem

Nasceu em Benevente (atual Anchieta), no Espírito Santo. Formou-se em colégios jesuítas e salesianos e ingressou na Congregação dos Padres Salesianos em 1891.

Antes de Goiás

Foi professor e diretor de instituições em Niterói, Lorena, São Paulo, Cuiabá (Liceu São Gonçalo) e Campinas (Liceu Nossa Senhora Auxiliadora).

Em Goiás

Tomou posse como sétimo bispo de Goiás em 5 de agosto de 1923 e permaneceu à frente da Igreja no estado por 32 anos.

O que fez

Trouxe congregações religiosas, como Salesianos, Verbo Divino, Estigmatinos, Franciscanos, Filhas de Maria Auxiliadora, Agostinianas e Dominicanas, para atuar na educação. A iniciativa alcançou cidades como Silvânia, Morrinhos, Anápolis, Formosa, a antiga capital e Goiânia. Também estimulou a criação de escolas paroquiais e ajudou a estabelecer as bases para a primeira universidade do Centro-Oeste.

Legado

Ampliou o acesso à educação em Goiás e contribuiu para a formação de professores e lideranças que participaram do desenvolvimento do estado.

Nos passos de Dom Emanuel

Para quem se interessa pela história e pela herança religiosa e educacional de Goiás, a trajetória do bispo cruza cidades que rendem boas visitas:

  • Cidade de Goiás (a antiga capital): sede histórica da Diocese de Goiás, onde Dom Emanuel tomou posse na Igreja da Boa Morte — hoje o Museu de Arte Sacra da Boa Morte. O centro histórico é Patrimônio Mundial da UNESCO.
  • Silvânia: recebeu os Salesianos e as Filhas de Maria Auxiliadora, e preserva forte tradição religiosa.
  • Anápolis, Morrinhos e Formosa: cidades que integraram a rede de ensino ampliada no período.

Dica de quem conhece: una a história ao roteiro. Um passeio pela Cidade de Goiás, por exemplo, permite conhecer as igrejas e o casario coloniais e entender, no próprio cenário, o Goiás que Dom Emanuel encontrou ao chegar em 1923.

Google search engine