Quem caminha pelo Lago das Rosas, em Goiânia, dificilmente deixa de notar um detalhe curioso: uma escadaria de concreto que parece não levar a lugar algum, posicionada bem no meio do lago. À primeira vista, a estrutura pode sugerir abandono. No entanto, ela guarda uma história que ajuda a entender a formação de um dos espaços mais emblemáticos da cidade.
Para compreender esse cenário, é preciso voltar ao século XIX, quando a região ainda fazia parte da antiga Fazenda Crimeia. Com a criação de Goiânia, na década de 1930, a área foi incorporada ao planejamento da nova capital. Em 1933, o espaço passou a integrar oficialmente o território urbano e, pouco tempo depois, ganhou uma nova função.
Com orientação do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, o município implantou o Horto Florestal de Goiânia no local, com a proposta de criar uma área verde estruturada, com vegetação planejada e uso público para lazer e convivência.

De área de banho a ponto de encontro
A transformação mais marcante veio em 1941, com a inauguração do Balneário Lago das Rosas. Cercado por jardins e roseiras, o espaço rapidamente se tornou um dos principais pontos de lazer da população. Na época, o lago era utilizado para banho, prática comum entre os moradores.
É nesse contexto que a escadaria ganha sentido. A estrutura servia como acesso a um trampolim instalado dentro do lago. Frequentadores subiam pela escada e mergulhavam na água, em um cenário que hoje contrasta com a função contemplativa do espaço.
Além disso, o balneário contava com construções que marcaram época, como o Castelinho, bastante frequentado por jovens. Havia também áreas com bar e boate, consolidando o local como um importante ponto de encontro social em Goiânia.

Mudanças urbanas e novo perfil do parque
Com o passar dos anos, o uso do lago começou a mudar. Registros de acidentes e afogamentos levaram à proibição do banho, encerrando a fase do balneário. A partir daí, o espaço passou por um processo de ressignificação.
Em 1956, parte da área foi destinada à criação do Zoológico de Goiânia, ampliando o caráter educativo e ambiental do local. Décadas depois, entre os anos 1970 e 1980, o crescimento urbano transformou o entorno, com valorização imobiliária e novos empreendimentos residenciais.
O projeto adaptou as margens do lago com pistas de caminhada, áreas de convivência e equipamentos de lazer. O parque consolidou, então, sua função como um dos principais espaços públicos da capital.

Um detalhe que preserva a memória
Hoje, o Lago das Rosas segue como refúgio verde em meio à rotina urbana. O espaço reúne academia ao ar livre, playground, pedalinhos, quadras esportivas e áreas ideais para descanso e contemplação.
Ainda assim, elementos como a escada no meio do lago permanecem como marcas silenciosas do passado. Mais do que uma estrutura curiosa, ela representa uma fase em que o local era, literalmente, um espaço de mergulho e diversão.
Caminhar pelo parque, portanto, vai além do lazer. É também uma forma de percorrer a história de Goiânia — onde cada detalhe ajuda a contar como a cidade se transformou ao longo do tempo.
Caminhar pelo parque, portanto, vai além do lazer. É também uma forma de percorrer a história de Goiânia — onde cada detalhe ajuda a contar como a cidade se transformou ao longo do tempo.









