Goiânia volta ao centro do cenário global da motovelocidade em 2026 com a chegada do MotoGP, principal campeonato da categoria no mundo. A etapa, marcada entre os dias 20 e 22 de março, representa não apenas o retorno do Brasil ao calendário após mais de duas décadas, mas também recoloca a capital goiana no radar internacional do esporte.
Junto com o evento, um velho conhecido ganha novamente os holofotes: o Autódromo Internacional Ayrton Senna. Mais do que palco das corridas, o espaço carrega uma trajetória diretamente ligada ao desenvolvimento da cidade e agora inicia uma nova fase após passar por ampla modernização.

Das corridas de rua ao sonho de um circuito moderno
A história do autódromo começa ainda nas décadas de 1960 e 1970, quando Goiânia vivia um período de expansão e buscava consolidar sua imagem como cidade moderna. Na época, a organização realizava corridas nas ruas durante o aniversário da capital, modelo que, com o tempo, se tornou arriscado.
Diante disso, surgiu a necessidade de um circuito permanente. O projeto ganhou força durante o governo de Leonino Di Ramos Caiado, com apoio da gestão municipal da época. A área escolhida foi a Fazenda Gameleira, na região Sul da cidade, considerada ideal pela topografia e pelo fácil acesso.
O arquiteto Silas Varizzo desenvolveu o traçado em parceria com o automobilista Marcos Veiga Jardim, com consultoria do bicampeão mundial de Fórmula 1 Emerson Fittipaldi. O resultado foi um circuito moderno para a época, com foco em segurança, áreas de escape e boa visibilidade para o público.
Inaugurado em 1974, o autódromo já nasceu com padrão elevado, com 3,82 quilômetros de extensão e capacidade para até 100 mil pessoas.

Anos 80: Goiânia no mapa mundial da motovelocidade
Foi na década de 1980 que o autódromo viveu seu auge internacional. Entre 1987 e 1989, Goiânia sediou o Grande Prêmio do Brasil de motovelocidade, etapa oficial do campeonato mundial organizado pela Federação Internacional de Motociclismo (FIM).
A cidade rapidamente ganhou visibilidade global. As corridas tiveram transmissão para diversos países, os hotéis ficaram lotados e o circuito se transformou em vitrine internacional.
Dentro da pista, grandes nomes marcaram presença. Pilotos como Eddie Lawson, Wayne Gardner e Kevin Schwantz protagonizaram disputas intensas no traçado goiano, consolidando a reputação do circuito como técnico e veloz.

Resistência e força no cenário nacional
Com a saída do Brasil do calendário internacional nos anos 1990, o autódromo passou a viver uma nova fase, agora voltada ao automobilismo nacional. Longe de perder relevância, o espaço seguiu ativo e se consolidou como um dos principais do país.
Categorias como Stock Car Brasil, Copa Truck e SuperBike Brasil mantiveram o circuito em constante funcionamento, ajudando a preservar a cultura da velocidade em Goiânia.
Ao longo dos anos, o autódromo também enfrentou desafios. O avanço urbano e a valorização imobiliária na região Sul chegaram a levantar discussões sobre uma possível mudança de local. No entanto, os projetos nunca avançaram, e o espaço permaneceu ativo.

A maior transformação da história
Para receber o MotoGP, o autódromo passou pela maior modernização desde sua inauguração. Com investimento estimado em cerca de R$ 250 milhões, o espaço foi completamente readequado aos padrões internacionais exigidos pela Federação Internacional de Motociclismo.
A pista recebeu novo asfalto, desenvolvido para garantir maior aderência em altas velocidades. As áreas de escape foram ampliadas, aumentando o nível de segurança, principalmente em pontos críticos do traçado.
Além disso, toda a infraestrutura foi atualizada. Boxes, paddock, sistemas de drenagem, sinalização e áreas de apoio foram modernizados para atender às exigências das equipes internacionais.
O público também foi contemplado, com melhorias em acessos, arquibancadas e áreas de circulação, preparando o espaço para receber grandes multidões.

Um retorno que projeta o futuro
Agora, mais de 20 anos após a última etapa do Mundial de Motovelocidade no Brasil, realizada em 2004, Goiânia volta a fazer parte do circuito internacional.
O retorno não é pontual. A etapa faz parte de um acordo de longo prazo, o que abre caminho para a presença contínua do país no calendário da categoria.
Mais do que reviver o passado, o MotoGP marca um novo capítulo para Goiânia — unindo história, modernização e projeção global em um mesmo circuito.









