Antes de Goiânia se tornar a capital de Goiás, Campinas já construía sua própria história. A religiosidade, o trabalho no campo e a presença dos padres redentoristas marcaram essa trajetória. Nesse contexto, surgiu a Igreja de São José. Inaugurado em 1901, o templo atravessou transformações urbanas e preserva a memória das origens da região.
A Igreja de São José fica no bairro de Campinas e é considerada a mais antiga de Goiânia. Sua história começou antes da fundação da capital. Na época, o local integrava Campininha das Flores. O povoado mais tarde passou a fazer parte da cidade planejada para sediar o governo estadual. Mesmo depois da demolição de outros edifícios do antigo complexo redentorista, ela permaneceu de pé.
Uma capela inaugurada antes da construção de Goiânia
A história começou no fim do século XIX, quando padres redentoristas alemães se estabeleceram em Campininha das Flores. Entre 1895 e 1901, eles construíram o Convento São José, complexo que reunia edifícios ligados à atuação da congregação. A comunidade inaugurou a capela em 11 de agosto de 1901, com o nome de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. A construção media cerca de 16 metros de comprimento por oito de largura.
Um aspecto marcante da obra foi o uso de alvenaria: na região, as construções ainda usavam com frequência esteios de aroeira, então a capela introduziu uma técnica construtiva nova para aquele contexto. Durante os anos 1920, o templo ganhou importância na rotina religiosa do povoado — as celebrações de semana aconteciam na capela, enquanto os encontros de fim de semana eram na antiga Igreja Matriz de Campinas.
Reformas mudaram a aparência e o nome
Em 1931, a capela passou por uma reforma que modificou sua estrutura, com paredes de tijolos, torre mais alta e outras intervenções. Dois anos depois, em 1933, recebeu um altar de madeira em estilo gótico, e as mudanças acompanharam a consolidação do nome pelo qual o templo ficou conhecido: Igreja de São José.
Naquele período, Campinas ainda era um núcleo urbano independente da capital que começava a ser planejada. Em 1933, profissionais envolvidos na escolha do local para Goiânia visitaram diferentes áreas e avaliaram as condições dos povoados candidatos. Campininha das Flores foi descrita como uma localidade de economia predominantemente agrária e desenvolvimento limitado — mas os relatos destacaram a influência da Igreja na organização social e política da comunidade. A presença dos redentoristas fazia parte desse contexto, em que a construção de igrejas ajudava a ampliar a atuação católica pelo interior do Brasil.

A única construção remanescente do antigo complexo
A expansão urbana levou ao fechamento do convento e do seminário dos redentoristas. Depois, a demolição das construções e o loteamento da área deram origem à Vila São José. A igreja, porém, permaneceu — e por isso sua importância ultrapassa a função religiosa: ela ajuda a contar a história da ocupação do território e das transformações que antecederam a consolidação de Goiânia.
O Governo de Goiás tombou a capela em outubro de 1982, por meio do despacho nº 1.096/82. A medida atendeu a um pedido do escritor José Mendonça Teles, que na época atuava como conselheiro estadual de Cultura. Depois, o Decreto nº 4.993, de 31 de agosto de 1988, reforçou a proteção do templo como bem cultural. O tombamento reconhece o valor histórico do edifício e exige que qualquer intervenção respeite as regras de um patrimônio protegido.
A igreja segue ligada à memória de Campinas
A Igreja de São José continua sendo referência histórica e religiosa para Campinas, ajudando a preservar a memória de Campininha das Flores. O templo lembra um período em que a vida comunitária se organizava em torno de espaços religiosos, atividades rurais e caminhos que conectavam o estado — a antiga rota da Romaria do Divino Pai Eterno, por exemplo, fazia parte dessa dinâmica regional.
Apesar de mais de um século de história, a capela enfrenta necessidades de conservação, e o acesso para visitação é restrito por causa das condições da estrutura e da necessidade de restauração. Como é um bem tombado, as obras exigem cuidados específicos. Quem deseja conhecer o interior deve procurar previamente a secretaria da Paróquia de São José, em frente à capela, e confirmar as condições de acesso, assim como horários de celebrações.
Essa história se conecta a um novo capítulo da valorização do bairro: em setembro de 2026, o município declarou Campinas patrimônio cultural de natureza imaterial, reconhecendo sua relevância histórica, religiosa, social e econômica para a formação de Goiânia — um reforço à importância de preservar e divulgar os lugares que explicam as origens da capital.
→ Sugestão de link interno (início): matéria da série de aniversário de Goiânia (a capital planejada, o significado do nome). → Sugestão de link interno (fim): matéria sobre o bairro de Campinas / patrimônio imaterial ou sobre o roteiro histórico de Goiânia.

Entenda a História
O que é
A Igreja de São José, no bairro de Campinas, ocupa um lugar histórico em Goiânia: é considerada a mais antiga da capital.
Quando surgiu
Inaugurada em 11 de agosto de 1901, como Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, construída por padres redentoristas alemães no povoado de Campininha das Flores — anterior à própria Goiânia.
O diferencial da obra
A capela trouxe uma novidade para a região ao adotar a alvenaria, enquanto as construções locais ainda utilizavam esteios de aroeira.
As mudanças
Reforma em 1931 (torre mais alta, paredes de tijolos) e altar gótico de madeira em 1933, quando se firmou o nome Igreja de São José.
Por que importa
A capela é a única construção que restou do antigo complexo redentorista, após a demolição do convento e do seminário. O templo preserva a ligação entre a história de Campinas e a formação de Goiânia.
Proteção
Tombada pelo Governo de Goiás em 1982, com proteção reforçada em 1988. Em 2026, o bairro de Campinas foi declarado patrimônio cultural imaterial.

Como visitar (com ressalva)
Onde fica
No bairro de Campinas, uma das regiões mais antigas de Goiânia e núcleo pioneiro anterior à capital.
Atenção: visitação restrita
As condições da estrutura e a necessidade de restauração restringem o acesso ao interior da igreja. Por isso, o local não recebe visitantes livremente.
Como proceder
Quem quiser conhecer por dentro deve procurar antes a secretaria da Paróquia de São José, em frente à capela, e confirmar as condições de acesso. Horários de celebrações também devem ser checados com antecedência.
Dica de quem conhece
Mesmo com o interior restrito, a Igreja de São José vale como parada de um roteiro histórico pelo bairro de Campinas — a fachada e o entorno já contam muito sobre a Goiânia que existia antes da cidade planejada. Outubro, mês do aniversário da capital, é uma ótima época para esse mergulho nas origens. Combine a visita com uma caminhada pelo comércio tradicional e pela história de Campinas, agora reconhecido como patrimônio imaterial. E, se o interesse for conhecer por dentro ou participar de uma missa, ligue antes para a paróquia: a igreja está em processo de conservação, e o respeito a esse momento ajuda a preservar o bem para as próximas gerações.









